quarta-feira, 31 de agosto de 2011
CHOVE EM MIM
CHOVE EM MIM
(Perséfone Diana)
Mansinha cai a chuva no telhado
fragrância de barro molhado.
Noite de isolamento
inquietante nostalgia.
Gotas salpicadas em minha face
debruço no batente da janela.
Alimentando pensamentos
isolamento que sobra saudade.
Vagueiam nuvens negras no céu,
carência do luar prateado.
A chuva cai o tempo contempla.
Passarinhos se juntam
Aquecem em ninhos molhados.
A terra sedenta agradece a umidade.
Derrama chuva...
Em casarões e templos.
barracos e favelas...
balançam portas e janelas
portões rangem em cemitérios.
Água silenciosa escorre serena
contenta a alma solitária
do mais enfático pensador.
Súbito vento desvenda mistérios
nos veios da flora é acalanto.
A natureza descansa
embalada pelas águas.
No claustro
velando em funerais sem mortos.
A alma chora num apelo sem lucidez
cor do outono desbotado.
A chuva encharcou em lágrimas
multiplicou a solidão na casa vazia.
Em faces invisíveis ao olho nu
sem passos nas ruas desabitadas.
Revisto-me de secas auroras
insaciada saio pelas calçadas,
piso nas poças e me banho na chuva.
Nessa penumbra sinto o afago
tudo relampejou dentro de mim
inundada nessas águas.
Nativa dessa terra
a nuvem desaguou e jorrou em mim.
Feito passarinho no ninho
eu me aconchego em desalinho
nos braços dessa chuva.
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2 comentários:
Deunice,
Que lindo poema, viajei na leitura,parabéns!!!
Abraços.
LINDA FOTO, LINDA POESIA...
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