segunda-feira, 9 de maio de 2011

ENQUANTO A CHUVA CAI



ENQUANTO A CHUVA CAI
(Perséfone Diana)


A chuva cai lá fora, a brisa fria me traz certa melancolia,
A solidão é a minha companheira nesta noite vazia,
Espero o braço e o abraço que não chega,
Penso nos beijos e na sua boca me trazendo carinho.

É primavera que aflora a mais bela estação,
Eu vejo os pássaros a cantar, todos os animais a proclamar,
Todas as flores se abrem para essa nova estação, explodindo todos os botões,
Vejo cada animal a saltitar, cada qual com o seu par.

A felicidade tem domínio em todos os seres vivos,
Em múltiplas cores enfeitiça o olhar do poeta,
Os aromas condensam no ar, tudo mostra a sensualidade desta estação,
Eu fico pensando, onde está o pássaro do meu ninho, que me deixou nessa solidão.

Eu viajo para dentro de mim e tento encontrar o meu amado,
E na minha essência, bem de longe, num sonho acordado, eu posso vê-lo,
Só não posso tocá-lo, ergo a minha mão, estendo rumo à imagem que eu vejo,
Mas é em vão, pois na minha mão não tive o palpável, tudo foi abstrato no meu sonho.

O sono não chega, as fantasias insistem em trazer o meu amado,
Eu quase posso sentir o abraço, o beijo molhado,
Sinto uma mão percorrendo o meu corpo e brincando com cada esfera,
Quando eu saio do êxtase eu vejo que a mão que me tocava era a minha.

A noite infinda, nessa solidão doída, o meu corpo grita pelo amor,
Quero sentir o corpo da parte que me completa, o encaixe perfeito,
Da fêmea e do macho, tudo em mim clama por uma cópula,
De repente, tão de repente, mudam todas as sensações.

Eu vejo um homem bonito que me estende a mão e me puxa para um abraço,
Ele estira o meu corpo sobre o lençol, beija-me loucamente,
Seus olhos têm poder de hipnotizar, me domina, eu sou nada e sou tudo,
Dependente de cada toque, pairando no lençol, sinto meu corpo levitar.

Sou feita de desejo, sou cheiro de mulher e gemidos de bichos.
Ele me toma para si e me faz a sua Afrodite desse amor arquétipo,
Eu me prostro diante dos seus pés, sou toda feminilidade desse homem que me atiça,
Fazendo amor, beijo a sua boca, na hora do gozo eu gemo!

Depois de copular, o corpo trêmulo e latente, tudo tem pulso dentro de mim,
Descanso em paz no braço do meu anjo azul e pego no sono profundo,
Quando acordo, depois de uma longa noite de amor de bicho, passo a mão na minha,
Onde está o meu homem com cara de anjo?! Tudo foi um sonho de amor de bicho.


Nenhum comentário: