segunda-feira, 9 de maio de 2011

AINDA É CEDO





AINDA É CEDO
(Perséfone Diana)

Hoje acordei antes que o sol raiasse para ver o nascer do sol...
Quanto tempo eu não via um gigante girassol voltado para o seu mestre...
A reverência era notável, deu as costas para tudo enquanto se energizava.
As sombras ficaram para trás, o sol doava raios de luz ele se mantinha em rotação.

Minhas palavras são trapos de um vestígio de amargura que ninguém vê.
Quando pinto um papel com os versos inacabados...
Serei o mármore com nome lapidado quando as lágrimas fizerem rios de mim.
Meu corpo está erguido com os olhos fitos numa galáxia onde me encontrei...

Ainda é cedo para dizer que eu cansei da vida que eu não vivi...
Vejo cinzas de uma vida queimada, vestígios de flor majestosa.
Quando sinto o compasso do meu coração, feito trotar de cavalaria em marcharia...
Sinto-me viva, andando nas retas ou nas sinuosas me deparo com um mundo azul.

Nos limites das minhas fronteiras alicercei os meus sonhos...
Quando gloriei no meu mar e no meu céu azul, eu vi um anjo adornado...
Sorrindo me falou que era cedo para eu sentar no meio da incompreensão...
A estrela que não brilha hoje enfeitará o céu de amanhã...

Virá uma luz que guiará uma matilha de lobos num dia nebuloso ...
E na caçada se manterão feras domadas nas lutas cerradas na estabilidade.
No fechar dos olhos de um lobo alfa quero ser o ômega para a retirada...
Partindo por uma estrada eu deixo meu bando e me livro das tensões.

Serei o renascimento quando aprendi que ao ouvir palavras bonitas eu estagnei...
Quando me cuspiram e me profanaram eu me alfabetizei na vida.
Que o meu retrato é a minha alma nua, quando grita por um legado injusto...
O meu eu é feito de matéria e de espírito sendo um, sendo única.

Agora na minha partida eu quero ser como o girassol vendo a luz...
Do dia, quero os raios me energizando para o novo regresso...
Da noite, eu não quero nem prantos e nem solidão...
Quero o sono dos justos e os sonhos das fadas no meu mundo de faz de conta...
De mim, germinarão sementes que rasgarão o hímen da minha existência...
Farei de mim o melhor solo, plantarei meu jardim trazendo flores...
Gerando seres vivos na terra sagrada
trarei a seiva para o seu alimento.
Em cada jornada serei a diferença,
o alfa, o beta e o ômega ...
Rocha, terra e algodão.

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