segunda-feira, 9 de maio de 2011

A CRIANÇA QUE CRESCEU




A CRIANÇA QUE CRESCEU
(Perséfone Diana)

 Você é a sua infância vivida...
De mãos dadas com a mãe, servindo como proteção.
Dormia na sua cama, sozinho, sem o beijo do pai,
Mas tinha o abraço e beijo da mãe.
É o menino que jogava bola na rua,
Brincava de pique-esconde, de polícia e ladrão.
Você é a sua linha da vida, que vejo em suas mãos,
Cada conquista, cada gol nas peladas de rua.
Cada briga de levantar poeira,
O choro quando caía no chão.
Gritava pela mãe, que não vinha.
Estava no trabalho para te levar o pão.
Sozinho, desde cedo aprendeu a driblar a sina, 
Construir seu destino.
Alcançar as metas,
Que teimavam em ir para outra direção.
Engolia o choro, 
Levantava e sacudia a poeira, partia para o contra-ataque.
Você é a escola que lhe deu a educação, lhe ensinou a tabuada.
Que mais tarde foi a sua profissão.
Escola da vida e de paredes, que lhe ensinou o que é ser gente, 
Mesmo quando sozinho, 
Quando a mãe faltava na reunião.
Você é todos os livros que leu,
E desses degustou todos os romances,
Sentindo-se o personagem principal de todos os contos.
Você é todos os amores que conquistou,
Você foi a teoria e a prática, da filosofia que leu e que viveu.
Das lágrimas que arrancou de um amor não correspondido.
De olhos espertos sempre atentos a tudo e a todos,
Sempre desconfiado de algo que aprontou.
Da vidraça da vizinha que quebrou,
Da entrada numa casa, para catar uma fruta na mangueira.
Da molecada na rua,
Hora rindo, outras disputando quem era o campeão.
Aprendeu a ser gente, escrevendo sua folha em branco.
Você foi o maior responsável pela bagagem que escreveu,
Pelas dores e alegrias que viveu.
A cada dia construindo parte de sua história,
Sem esquecer-se da sua adorava mãe.
Com uma certeza...
De tudo o que era mais certo...
Nascentes com a índole boa,
E assim sendo escolheu o caminho, 
Que construísse sua escada da vida,
Cada degrau que subia, era a sua superação.
No aprendizado que a vida lhe ensinou,
Nas escolhas que ela te mostrou...
Sendo gente honesta e trabalhadora, era uma opção,
Não teve dúvidas quanto a seguir esse caminho,
E ver os seus amigos caminhando debandando,
Para o lado em contramão.
A quem deve a tudo isso?
Senão a você mesmo, que soube escolher entre o sim e o não.
Hoje, depois de tantas primaveras, deixou de ser menino,
És um homem, de caráter e bem humano,
Coração que carrega uma mistura,
Sentimento de ódio e de amor.
São dois extremos que sempre topam em certa encruzilhada da vida.
Numa reta, onde num momento de ira vira uma curva.
E os imãs atraem os dois opostos,
Deixando a figura geométrica da reta, virar um círculo e se fechar.
Nos versos eu vejo a personalidade forte do homem,
Outras vezes eu vejo a carência do menino,
Que aprendeu sozinho todas as lições.
Nas entrelinhas de cada palavra, eu vejo vestígio do passado,
Se fazendo presente nas suas emoções.
Sem colocar na balança o peso das conseqüências,
Abre a camisa, com peito a mostra,
Fala o que bem quer,
Sem medo...
Tem ousadia... quando pensa que a vida pode acabar amanhã,
Então o que sobra é essa vontade insana, de viver tudo de uma só vez,
Está em todos os lugares. Provar de todas as emoções,
Mas de uma coisa é certa.
Tem nas veias o sangue de um guerreiro...
Mas que na hora do medo,
Encontra aconchego no abraço da sua adorada mãe.
Nesse momento o homem forte, ousado,
Fica em posição fetal...
Fechado esperando assim quem Sabe,
Viver a proteção,
Que encontrou um dia no ventre de sua mãe.
Isso não sendo mais possível, 
Corre... e o que lhe resta é pedir a bênção,
Um beijo na testa e sentir a proteção dos braços dela,
Quando ela abraça seu pescoço e te chama de meu filho.


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