A LUTA DO NORDESTINO
(Perséfone Diana)
(Perséfone Diana)
Ser nordestino e nascer guerreando.
É ser cabra da peste,
Seja no sertão ou no agreste,
Terra seca pede água,
Olhares atentos no céu,
Surge uma nuvem escura,
Esperança renasce,
Quem sabe nessa noite mate a sede da terra.
Pernambuco, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte.
Gente sofrida pela inanição,
Onde está à comida,
A seca matou a semente e não houve plantação.
Povo trabalhador,
O Sertanejo plantou a semente,
Cavou a terra seca,
Com um pedido a Deus ele faz uma súplica,
Jorre água em abundância,
Germina a semente nessa terra infértil,
Faça um milagre,
Que a terra saiba esperar,
Quando a chuva chegar,
A terra envolve a semente,
A água não veio,
Morreu a semente...
No olhar desesperançoso desse nordestino,
Olha ao redor e tudo que vê é tristeza só,
A mulher em casa vendo os filhos com fome,
Pedem um pedaço de rapadura,
Um pouco de farinha,
Engolem o pouco que tem,
E quando tem,
Sem água, o alimento desce queimando na garganta...
A fome é demais, engolem com ânsia...
Para o sertanejo que convive com isso todos os dias,
Vê-se sem chão, dos olhos brotam água,
Quem dera toda lágrima de cada nordestino,
Fizessem rios e jorrassem por todos os cantos,
Onde a seca castiga... Onde a água é salobra.
Na caatinga, no cerrado,
Os animais comem as folhas do que tem...
Não é suficiente,
Sem resistência, morrem por ali,
Podendo ver as carcaças,
Representando a sede e a fome...
Ossos espalhados pela vegetação.
Terra do lampião e de Maria bonita,
Também sofreram nesse agreste e nesse sertão...
Desde cedo aprenderam a sobrevivência,
Do mandacaru, bebem sua água,
Não é o suficiente,
Quem dera que houvesse uma plantação somente de mandacaru,
Quem Sabe assim na ânsia da sede,
Pudessem encontrar ali a sua mina.
Esperança renasce...
No agreste e no sertão de todo nordeste,
Pelo radio ouviram um comentário,
O rio são Francisco chegará até aqui,
Quem sabe da mina, que nasce em minas gerais,
Será a salvação para todo o agreste.
Mainha, painho onde está a rapadura?
Hoje não tem responde a mãe...
Bebe água para matar a fome,
Mas que água mainha?
Acabou... O poço secou.
Painho vê que perdeu a plantação,
Os animais morreram,
A cabra que dava leite,
Está sem poder levantar,
A morte ronda...
Não tem outra saída,
Juntando o pouco que sobrou,
Partem dali,
Em busca de água,
Todos andando de um lado para o outro,
Perdidos e sem rumos,
Desorientados...
No caminho juntam-se a outras famílias,
Todos perderam tudo...
E vão vagando pela terra seca,
Pelo sol em chamas...
Caminho sofrido,
Muitos não aguentam a migração,
Pelos caminhos vão ficando os mais fracos,
Que morrem de inanição,
As doenças consomem a pouca carne que tem no corpo,
De ossos e pele é uma criança.
No desespero da fome que rói o estômago,
Comem tudo que é verde que encontra.
A mainha ouve o choro do filho,
E vê que comeu mandioca brava,
Mais um morto pela fome, morreu envenenado.
Nos olhos desse povo,
Parece que até a lágrima secou...
Que não demore muito,
Que sejam as águas de minas gerais,
Que possa levar a esperança na vida desses nordestinos.
Enquanto isso os violeiros cantam as suas dores,
Contando as suas histórias nesse lamento,
Triste, sofrido de uma terra quase morta pela seca.
Que símbolo poderia representar esse povo?
A bandeira do Brasil, como força e amor a pátria.
No sofrimento os ossos, símbolo de cada morte.
Brasil, terra abençoada por Deus,
Onde tudo que planta dá...
Que isso valha para o nordeste também...
Fica aqui o meu lamento,
A minha dor em versos,
Na esperança que o velho Chico,
Faça a semente brotar lá no agreste.

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