segunda-feira, 9 de maio de 2011

O FRIO DA SOLIDÃO





O FRIO DA SOLIDÃO
(Perséfone Diana)


A solidão tirou os seus dias
deixando marcas profundas de desolação.
Na melancolia de um dia sem sol,
sem companhia se viu vivendo uma eternidade na dor.
Os dias se tornaram longos, sem ouvidos que te ouça,
a voz embargou.
Sem um rosto para olhar,
seus olhos se fecharam para não enfrentar a realidade da ausência.
Um som talvez pudesse erguer o seu corpo e colocá-lo de pé,
Uma música embala seu lamento, na letra canta o amor.
O medo te faz encolher como uma criança temendo o escuro.
Sem defesa, mostra a tênue marcada pelo desalento,
Pergunta dentro da alma que tortura.
Quando foi embora e levou consigo o amor.
O cheiro do perfume no travesseiro,
Um travesseiro a mais na cama.
A promessa de retorno que não realizou.
A música ainda toca o que faz aumentar o tormento.
Da alma sozinha que confronta novas eras,
Cheia de conflitos dos opostos que se atraíram,
e se desencontraram na mesma cama.
A saudade bateu forte no coração.
Quando a solidão ficou e o amor partiu por uma porta,
Que não queria abrir.
Escapou como pássaro saindo da gaiola,
Alçou um vôo e não retornou.
Na lembrança do beijo molhado,
dos lábios rosados que tocaram no mesmo instante 
quando fundiu no coito.
O frio traz arrepios no dorso,
Não é inverno, mas o gelo condensa o ar,
fazendo sombra na vidraça.
O pior frio não é o da geada de uma invernada,
é o frio da alma que queima como fogo,
é o inferno da dor ao ver o amor indo embora,
as sobras de uma vida que um dia foi uma partilha...
quando tudo verte,
Sobra tanto espaço,
que o coração não comporta tanta dor,
quando abre uma cratera no peito,
Mostrando a dor de quem ficou.




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