POESIA MORTA
(Perséfone Diana)
(Perséfone Diana)
Mente confusa, desorientada...
Com raios de sol, ou com a sombra da noite,
Calendário marcado,
Horas que passam parecendo eternidade,
Badaladas no relógio,
Marcando o tempo que morre.
Passos de um lado para o outro,
No piso da sala,
Pés sem rumo de alguém que tenta ser poeta.
Senta numa cadeira, sobre a escrivaninha,
Papel e caneta,
Ferramentas que bordam o papel.
A tinta marca a folha,
Com letras ilegíveis ao entendimento,
Tenta traçar uns versos,
Faminto por uma obra resvalada,
Perde o domínio das mãos,
Letras tremidas no papel...
Os versos não se casam e nem se completam.
Mente confusa, passa por conturbação,
Tinta que não faz das letras os versos,
Fazendo borrões pensas que é poeta.
Mente vazia,
Palavras mortas...
Em algum lugar da alma foram enterradas.
Abandonou o falso poeta...
Cansada de tanta ironia,
Ela reclama e se desconcerta,
Se pudesse sair da vida das palavras,
Pediria que lhe tirasse do papel.
Mente insistente,
Procura das palavras para fazer a sua arte,
Criação degenerada,
Feito genes doentes em multiplicação.
Escreve do amor,
Não consegue mostrar conteúdo,
Ele passa para a dor,
Nada tem conjugação e nem há sintonia.
Tenta pluralizar, quando era no singular.
Uma poesia ferida com golpes de lápis,
Ele ressuscita o lirismo,
Numa tentativa perdida,
A mulher amada não viu, nem sentiu,
Na complexidade,
Que havia perdido nas suas palavras.
Numa obra mal entendida.
Ele consegue escavar bem dentro dos versos,
Quando na ausência do lápis que fere,
Tentam uma fuga.
Como criança em prantos,
Ela encena uma despedida,
Quando trancafiada se vê ali,
Eternizada naquele papel.
E a poesia chora com lamentos,
Com choro sofrido,
Como gotas de orvalhos
Caindo em cada madrugada.
Sem o brilho dos vaga-lumes,
Que dão o brilho ao poeta.
Acolhedora sem ter outra saída,
Abriga os versos nostálgicos e mal escritos,
Carregando os ecos dos gritos,
Despertos dentro da alma de quem lê,
Alguém matou a poesia,
Quando tentou ser poeta.

Nenhum comentário:
Postar um comentário