segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ILHA


ILHA

No momento em que resolvi partir
pensei inventar caminhos
um atalho revelado
pegadas deixadas
para chegar num lugar
que eu havia escolhido.
Resvalado eu procurava
um lugar onde pudesse
me encontrar com você.


De tantas idéias que me povoavam
quase naufraguei em dúvidas.
Sol e lua, partida e chegada,
na sombra incompleta
a noite dormia na luz.
A distância separava as paralelas.
acabei ficando sem saber
a diferença entre sair e chegar.
Até que pude perceber
que na minha insistência,
você caminhou para o fogo da paixão.
Seguindo as marcas cravejadas,
quando meus pés demarcaram a direção.


Percebi...
que você me olhava em silêncio
já estava comigo.
E descobri que ao meu lado
a sua presença fez-se ausência
você se divertia...
brincando de se esconder.
Seus lábios emudeceram
na íris dos seus olhos eu me perdi.
Eu amava na dor da solidão,
na busca pelo seu corpo
encontrei uma valsa sem sintonia,
pétalas sem flor,
as palavras saíram de mim.

Na incoerência silenciosa
a intuição em clemência pedia,
para que eu lhe procurasse
na morada do sonho.
No céu azul um pombo voou,
vi que a distância que me delimita
está nos meus devaneios.
O sol nasceu atrás dos montes
acordei do meu sono,
lugar onde sempre você esteve.
Na ilusão sobrou os restos
da metade que não completou.
Ontem eu não sabia...
A diferença entre sair e chegar,
Hoje pela sua procura, na ânsia
eu não sei
se desejo dormir ou despertar.


WILSON COÊLHO/PERSÉFONE DIANA

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