segunda-feira, 17 de outubro de 2011
O RUBI DA VIDA
O RUBI DA VIDA
(Perséfone Diana)
Sozinha com tempo em sobra
Revi os meus recortes de atos feitos e desfeitos.
Folheio um caderno releio a minha vida...
Cada despertar eu pergunto:_ O que eu fiz?
Se me tornei importante para alguém...
Se vivi momento de paz ou de tormenta...
Se botei mais fogo na chama que queimava
Ou se joguei água com palavras brandas e cessei a fogueira.
O que eu fiz nesse dia de enfado?
Pensei no ócio que dominava,ou na nuvem parada...
Dia escaldante sem sinal de chuva...
Revendo a minha indiferença comigo mesma
aproveitei a melancolia e fui mais útil.
Ao doar um afago sobre a cabeça de quem padecia.
Enfermos de corpo e alma eu encontrei.
Com um beijo na face
Toquei no queixo, ergui a cabeça
Para quem desfalecia o meu calor converteu em saúde.
Sangue correndo na veia o rubi da vida eu doei.
Estendi o meu braço aconcheguei um menino choroso.
Órfão de pai e da vida, abandonado aos vícios.
O que importa do meu tempo para você que nem conheço?
_Não te conhecia até que cruzou o meu caminho.
Daí fiz parte da sua vida, andamos no mesmo trem.
Esperamos a parada que em breve chegará.
Na esperança das promessas vindouras há uma crença...
Receber a mão ofertada em benevolência.
Entregar um prato de alimento ao sobrevivente.
Doar água viva das bênçãos prometidas.
Ser fruto de uma árvore fértil que gerou e renasceu.
Em sementes o pássaro carregou no bico.
Plantou noutra fronteira que eu não pisei...
Mas quando o trem passar por lá...
A árvore frondosa haverá de ter vingado.
O pássaro abriu o bico, o grão caiu em solo fértil
Plantou na cova da terra a esperança de vida.
Aprendi que perder tempo é perda de vida.
Em cova rasa a semente nasce e leva vida
Ao perder tempo um dia a cova será funda
E enterrará um ser humano...
Que renascerá em outra vida.
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