terça-feira, 13 de dezembro de 2011

LIBERDADE


LIBERDADE

Perséfone Diana

Um deus mudo sem ação assim me fizeram.
Braços atados sem movimentos, assim me prenderam.
Muralhas de pedras assim me concretizaram.
Minha carne sem movimento enquanto a voz gritava.
Com os pés atados encurtaram meus passos,
uma estátua de barro oca e viva, que não proclamava.

Nos elos das correntes imaginárias eu era cativa.
Uma pedra por fora, meu corpo estático não reagia.
Num coração que pulsava vida e o brado saía...
Determinada fui ao combate e ocultei meu vazio.
A estátua desvinculando da parede, ganhava sopro de vida.

Da muralha concretizada em mim, encontrei adversidade.
Me fiz de fortaleza ao usar um braço, quando me desprendi.
A mente aspirava liberdade quando a alma voava nos rochedos.
Movi a cabeça deixei de ser deus mudo, descobri que podia...
Ir além do lugar que me imortalizaram me fiz de oleira
moldei-me múmia viva.

Ao sentir o grito da alma quando olhava para mim...
Desprendi a cabeça, ganhei vida, novo sangue pulsando na veia seca.
A força maior do que a fragilidade, enclausurada me fazia liberta.
A potência e o vigor pela vida foi maior do que as ataduras.
A pedra da minha existência era quebrada, com dor...
E eu me soltava com ânsia para dar os primeiros passos
Para falar o que a alma gritava...

Ao inclinar o meu corpo frágil eu lutei comigo mesma...
Sendo eu a prisioneira, só tinha a mim, para dar a liberdade...
Sozinha, desamparada, pelos deuses que falam...
Eu derrubei a minha muralha quando saí com passos fortes
Dançava enquanto erguia os braços para os anjos do céu...
Proclamava a minha liberdade enquanto comemorava
Olhando alguém para abraçar, não encontrei ninguém.
Encontrei meus braços alcei voo, dancei nas ruas, em meu mausoléu...

E para quem não acreditar que deus mudo pode falar 
Estou aqui para que vejam a minha vitória...
Na muralha tem sombra do meu corpo, lugar onde eu habitava...
Hoje quando olho para ele vejo a ausência da prisioneira,
que um dia falou com a pedra, nos vazios de paredes.
Que a. esperança é a última que morre que é preciso morrer na luta. 
que podemos ser o brado quando nos calam...
Que podemos ir além quando nos prendem...
Que podemos voar dentro de nossa alma, onde ninguém entra sem ser cativo.
E poder cantar uma bela canção...

EU SOU EU SOU... Aquela deusa muda que falou...
Quem duvidar das possibilidades veja no meu corpo...
Deixou de ser pedra, quando bateu um coração.
E te convido a vir comigo quebrando rochas, sendo pássaros livres
que fazem ninhos no alto, nos sobrados, jamais serão ninhos petrificados...
Por que eu sou a liberdade da pedra, que abalou a própria muralha
e agora me banho na minha liberdade...

Enquanto pensarmos que estamos podados e aceitarmos correntes,
seremos uma tumba...
Mortos vivos sem fala, sem ouvido e sem movimentos...
No dia que a fé for maior, que o desejo de ir além da covardia, a coragem renasce.
Seremos a fala que ecoa na rosa dos ventos...

Alguém saberá que me libertei e estarei bailando por aí, com outro deus que tem fala... 
Não vida não importa quantos movimentos teremos que fazer para alcançar o triunfo...
Começando pelo descarregar dos fardos nos ombros, uma mão que quebra barreira...
Quando perceber o corpo inteiro contribuiu para uma causa
poder provar da lápide desfeita, a nossa miragem, o nosso nome falado nas alturas...
O MEU NOME É LIBERADE.

Nenhum comentário: