quarta-feira, 10 de outubro de 2012

DECLAMAÇÃO MUDA







DECLAMAÇÃO MUDA

(Perséfone Diana)

Quero ter controle no descontrole da emoção,

parar meu pensamento nessa busca vã.
Quando pisar num lugar distante ou perto
lá estarei em todo instante.
Seguindo seus passos olhando sua face.
Encontrando em minha abrangência
a sua existência, sem falar das horas,
me consumo em seu tempo e lhe vejo.
É o meu presente solitário entregue a solidão,
são as mãos que me pegam atiçam meus instintos,
conduzem-me ao seu extremo.
Banhada de si, em aragem provei do seu néctar.
Quando ao relento aquecia fantasias,
perdidas em memórias de um romance.
Talvez páginas lidas num livro de amor,
talvez o mais belo poema de amor,
talvez o homem mais completo
na minha incomplexidade é a minha plenitude.
O que espera é a minha esperança,
inconfessa a verdade grita, eu ouço!
sentindo saudade de sentimentos revigorados,
lhe faz homem voltando no tempo,
seguindo ao meu encontro chamando meu nome,
Meu rei vestido de sabedoria trazia a glória soberana,
o perfume dos jardins sagrados a mim adentrava.
Sorvia de tudo em si ao tocar seus lábios,
sentia odores excitantes fabricados pela sedução,
me vestia de rainha para entrar em seus contos.
Banhava-me em óleo aromatizado
alheia a tudo,cobríamos de felicidade.
Eu doava horas estagnadas ao tempo,
comendo das horas cedia o meu alimento.
Oh tempo come as horas das noites vazias...
Dádivas esperançosas contavam-me das aves emplumadas,
seria o anjo visitando meus sonhos trazendo a taça do amor?
O perfume exalando instinto selvagem de homem maduro,
nos tonéis da vida foi preparado, entregue a mim.
Ouvidos sensíveis captam sons ao vento...
Seu olhar calado controlando palavras silentes,
Se pudesse falaria que sou eu aquela que vê e lê os sonhos,
decifrando a intimidade da sua alma,
me calo junto a si, declamo meus versos a sua alma,
em meus olhos vidrados, vê o cobre luzente,
calada a minha alma voando lhe fala,
a inércia apática segura meus passos,
abro as minhas mãos, duas conchas cheias,
oferto-lhe meu amor com mãos abertas
o amor mudo cedeu a semente
nasça em mim...
Antes que a secura mate esse chão de terra seca.
Infinitamente a sede seca os lábios carentes,
vendo tantas fontes morrendo à espera de suas águas.
Não vá antes de chover em meu solo,
Deita-se em meu colo esqueça a minha fala,
molha a minha boca e seja minha declamação calada.




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