segunda-feira, 9 de maio de 2011

ANDARILHO





ANDARILHO
(Perséfone Diana)

O tempo reage, fala... O tempo mostra...
No tempo eu vejo um andarilho faminto.
Ele caminha está longe, cansado corpo esmorecido...
Percorreu um longo caminho em toda a sua jornada.
O relógio marca oito horas...
Ele pensa que é à hora de matar a sua fome e a sua sede
Consumida pela ânsia da chegada...
Oito horas era seu desjejum,
Era a sua fome saciada, sua água e seu pão...
No caminho desse andarilho, teve espinhos e teve rosas.
Teve flores de todas as cores...
margaridas, violetas e jasmins...
Teve orquídeas exuberantes em cada passo pela vida.
Ao longe seus olhos se despediam de cada paisagem por onde percorria...
Despedindo de um caminho longo que ficou para trás.
Muito chão para percorrer, ele anda!
Vagueia por campos, matas, flores e jardins...
Olha e contempla mais uma vez a bela obra da natureza
Mostrando a sua alegria emanada, visão em tantas cores ele fitava... 
Ele pensa que poderia ter um amor, como seria o rosto do seu amor?
Seria num rosto de anjo? Numa imagem surreal fica a pensar... 
Como seria a companheira nas andanças...
Como seria  essa  andarilha...
Teria ela rosto de boneca, toque de seda, mãos de fada ou de princesa...
E mais uma vez o andarilho, cansado e faminto...
Deixa-se levar pelos devaneios...
Nesse momento ele permite sonhar...
Há muito chão pela frente por onde pisar...
Há muitos lugares para contemplar...
Contempla nova paisagem, é um campo verde de matas e lagos,
Os pássaros cantam, parece felizes, o que poderia ser esse enunciado?
E com toque de veludo leva ao canto de vida a alma desse andarilho...
Nessa paisagem ele para e contempla uma rosa no canto da estrada...
Ela é vermelha tem longa haste... É muito bela, tão bela que enfeitiça.
Ele pensa em tocá-la, mas tira de leve a sua mão, não pode ferir a bela rosa...
Deixe-a quieta na beira da estrada. Não a sente!
Para que outros viajantes da vida possam ver tamanha beleza...
Um dia nessa mesma estrada outro andarilho andará... 
Ele tira a mão com pressa, deixe-a onde está... 
A bela rosa vermelha com a sua haste imponente,
uma rainha da vida daquele andarilho.
Ele sai, vai para a estrada continua sua caminhada...
Ele anda, percorre muitos outros lugares.
A fome e a sede tomam conta dos pensamentos,
Não aguenta mais ficar em pé, pensa em como se saciar...
Na vontade de parar e sentar CONTINUA... 
Ele é forte, quer andar mais, para que chegue logo ao seu destino... 
Chega à noite ele olha para o infinito
e na estrela mais brilhante ele vê seu anjo de luz, 
Uma andarilha anda rumo ao seu destino, ela caminha ao seu encontro...
Ele pode ver só não pode tocar... Mas ela anda...
Ele dorme pensando no que viu nas estrelas e no infinito...
A noite finda, o sol chegou com raios de ouro tocando a sua face, 
Ele abre os olhos e volta para a estrada rumo ao seu destino...
Destino esse traçado pelos anjos...
Ele come uma fatia de pão, bebe um pouco de água,
Mas ainda não saciou a sua fome nem e sua sede.
Ele caminha e quando ele olha bem longe, pode ver uma miragem, 
Será que é o sol quente a ofuscar a sua visão?!
Não é a figura de uma linda mulher, ela traz luz, água e traz mais pão...
Ele olha novamente...
Limpa os olhos e enxerga a realidade, não foi uma miragem... 
É a sua andarilha...
Ele a abraça e juntos continuam o caminho de andarilhos,
Porém sem solidão.
Agora tem chão para andar, mas tem água e tem o pão...
juntos contemplam as rosas com suas belas hastes...

Na eterna caminhada de andarilhos.

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