ANDARILHO
(Perséfone Diana)
O tempo reage,
fala... O tempo mostra...
No tempo eu vejo
um andarilho faminto.
Ele caminha está
longe, cansado corpo esmorecido...
Percorreu um longo
caminho em toda a sua jornada.
O relógio marca
oito horas...
Ele pensa que é à
hora de matar a sua fome e a sua sede
Consumida pela
ânsia da chegada...
Oito horas era seu
desjejum,
Era a sua fome
saciada, sua água e seu pão...
No caminho desse
andarilho, teve espinhos e teve rosas.
Teve flores de
todas as cores...
margaridas,
violetas e jasmins...
Teve orquídeas
exuberantes em cada passo pela vida.
Ao longe seus
olhos se despediam de cada paisagem por onde percorria...
Despedindo de um
caminho longo que ficou para trás.
Muito chão para
percorrer, ele anda!
Vagueia por
campos, matas, flores e jardins...
Olha e contempla
mais uma vez a bela obra da natureza
Mostrando a sua
alegria emanada, visão em tantas cores ele fitava...
Ele pensa que
poderia ter um amor, como seria o rosto do seu amor?
Seria num rosto de
anjo? Numa imagem surreal fica a pensar...
Como seria a companheira
nas andanças...
Como seria essa andarilha...
Teria ela rosto de
boneca, toque de seda, mãos de fada ou de princesa...
E mais uma vez o
andarilho, cansado e faminto...
Deixa-se levar
pelos devaneios...
Nesse momento ele
permite sonhar...
Há muito chão pela
frente por onde pisar...
Há muitos lugares
para contemplar...
Contempla nova
paisagem, é um campo verde de matas e lagos,
Os pássaros
cantam, parece felizes, o que poderia ser esse enunciado?
E com toque de
veludo leva ao canto de vida a alma desse andarilho...
Nessa paisagem ele
para e contempla uma rosa no canto da estrada...
Ela é vermelha tem
longa haste... É muito bela, tão bela que enfeitiça.
Ele pensa em
tocá-la, mas tira de leve a sua mão, não pode ferir a bela rosa...
Deixe-a quieta na
beira da estrada. Não a sente!
Para que outros
viajantes da vida possam ver tamanha beleza...
Um dia nessa mesma
estrada outro andarilho andará...
Ele tira a mão com
pressa, deixe-a onde está...
A bela rosa
vermelha com a sua haste imponente,
uma rainha da vida
daquele andarilho.
Ele sai, vai para
a estrada continua sua caminhada...
Ele anda, percorre
muitos outros lugares.
A fome e a sede
tomam conta dos pensamentos,
Não aguenta mais
ficar em pé, pensa em como se saciar...
Na vontade de
parar e sentar CONTINUA...
Ele é forte, quer
andar mais, para que chegue logo ao seu destino...
Chega à noite ele
olha para o infinito
e na estrela mais
brilhante ele vê seu anjo de luz,
Uma andarilha anda
rumo ao seu destino, ela caminha ao seu encontro...
Ele pode ver só
não pode tocar... Mas ela anda...
Ele dorme pensando
no que viu nas estrelas e no infinito...
A noite finda, o
sol chegou com raios de ouro tocando a sua face,
Ele abre os olhos
e volta para a estrada rumo ao seu destino...
Destino esse
traçado pelos anjos...
Ele come uma fatia
de pão, bebe um pouco de água,
Mas ainda não
saciou a sua fome nem e sua sede.
Ele caminha e
quando ele olha bem longe, pode ver uma miragem,
Será que é o sol
quente a ofuscar a sua visão?!
Não é a figura de
uma linda mulher, ela traz luz, água e traz mais pão...
Ele olha
novamente...
Limpa os olhos e
enxerga a realidade, não foi uma miragem...
É a sua
andarilha...
Ele a abraça e
juntos continuam o caminho de andarilhos,
Porém sem solidão.
Agora tem chão
para andar, mas tem água e tem o pão...
juntos contemplam
as rosas com suas belas hastes...
Na eterna
caminhada de andarilhos.

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