O MEU PASTOR
(Perséfone Diana)
(Perséfone Diana)
A fortaleza advém das dores sofridas,
Das pedras e dos espinhos.
Das estradas cheias de curvas,
Das letras escritas numa folha sem linha,
Numa vida marcada pelo doce do mel,
E do azedume do fel.
A fortaleza vem dos tombos,
Dos buracos que me engoliram,
Do riso de menina
Quando a felicidade bateu à minha porta,
Das lágrimas que sem motivo
Molham o meu travesseiro.
E da alma um lamento e uma súplica,
Que seja a minha fortaleza,
Cada passo meu,
Cada mão que eu segure,
Cada abraço à espera dos meus braços.
A minha história eu construo em cada aurora.
O que me espera ,eu não sei,
Sempre a vida é dona da revelia,
Eu vou juntando os minutos,
As horas, fazendo deles dias...
Vivendo e aprendendo,
Que fortaleza eu construo,
Ninguém construirá por mim
Nenhuma pedra do meu alicerce.
Com as minhas mãos eu vou à luta,
Boto areia na minha construção,
Um pouquinho de fé,
Já faz a diferença,
Uma oração completa o resultado.
E quando eu me vejo na calada da noite,
Numa invernada,
A lua não é lua cheia,
Não traz luz para iluminar os meus passos,
Nesse momento eu me sinto como uma ovelha,
Num rebanho descansando...
Tranqüila,
Eu olho para o meu pastor,
Ele não cerra os olhos para o sono,
E na madrugada fria dessa invernada,
Todas as ovelhas sentem segurança,
Quando olham para seu pastor,
Erguendo o seu cajado,
É sinal de proteção,
Alguém vela o meu sono,
Alguém não dorme para que eu durma,
E nesse momento eu me junto às demais ovelhas,
Aconchego-me e me aqueço,
Tem alguém que olha por mim,
Enquanto eu me fortaleço.

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