BEIJO DA PRIMAVERA
A queda de uma pena
silenciou qualquer ruído
Demônios da mente
que se evaporam
no calor da luz…
Cores em catadupa
iluminam quartos vazios
Planícies plenas…
Será falsa realidade
ou
P
R
I
M
A
V
E
R
A
que me invade
todos os ecos…
Sussurro, livre do Inverno
que me perturbou
os sentidos
Rimo com ele…
um veemente adeus…
Os ventos uivam nos montes,
bailando a delicada flor.
Semente gerada
do árido tormento...
Silêncio da alma
não decifrada.
A brisa acalma a ventania
quando eu gemo de dor.
Nos segredos atados a mim,
uma mão desfaz os meus elos.
Ouvirão a minha suplica.
A flor enfeitou a estação...
Ocultou a minha presença,
quando se fez renovada
calou a minha voz...
Selou a minha boca.
Com um beijo...
Resplandeceu
com gotas de orvalho.
Acariciou
os meus lábios gelados...
Deslizou
sobre meu corpo cansado.
Pétalas vermelhas eu vi...
Em vão
procurei pela minha flor negra.
Vi, que na primavera
se adornou em nova cor.
A aurora desfez a madrugada,
Os dias levaram o meu outono.
Nos vales e montes,
proclamam a nova estação.
Nova plumagem eu recebi.
Vivo...
sob os ciclos das estações.
Das mutações
eu sou a vivacidade da sombra
quando teimam em me colorir.
Encontro o meu alimento
na solidão
que me fortalece.
Das árvores
quero o fruto suculento.
deixo lá os ninhos
das aves silvestres.
Morada dos filhotes
que nasceram antes da primavera.
Felizes com a nova plumagem...
Cantam um canto
em orquestra.
Ensaiando um voo
batem suas asas
voam todos dos ninhos...
Em bando
cantam o hino de glória...
a nova estação é:
P
R
I
M
A
V
E
R
A
Na minha solidão eu anseio
pela minha nova flor...
Quando se vestiu de carmesim.
Tocou de leve meus lábios
e se fez primavera para mim.

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