segunda-feira, 9 de maio de 2011

EU E MINHA SOLIDÃO





EU E MINHA SOLIDÃO
(Perséfone Diana)

Meus passos caminhando rumo ao nada,
Paro, olho para todos os lugares, miro o infinito...
Falo comigo mesma: _ Quem é você, aonde vai,
com quem anda com quem fala?
Essa voz torturando, mostra à minha alma da maneira mais cruel...
Como uma mão, me apontando com uma arma em punho,
dilacerando o meu coração.

Sinto a dor mais sofrida, a angústia mais temida...
E vejo que esse sentimento se chama “solidão”...
Vago pela noite sozinha...
Contemplo as estrelas.
O céu parece em festa, com brilho de neon...
A lua majestosa o símbolo dos amantes...
E mais uma vez me vejo na solidão...
  
Tenho a lua e tenho as estrelas...
Tenho a noite de lua cheia.
Só acordada na noite não tenho alguém, que me estenda os braços...
Que aperte meu corpo num abraço.
Os meus olhos teimam em procurar um olhar, é em vão...
Da minha boca quase sai um sussurro.
Sem ter ouvidos que possam me escutar...

Meus passos continuam sem rumo, sem ter alguém a me esperar...
E mais uma vez me deparo com o que me aparece,
estou diante da minha solidão.
Por mais que eu peça para ela ir embora,
Ela teima em ficar...
Fecha os meus olhos,
Cala a minha boca,
E quando penso que ela me tirou tudo,
Ela vem e me tira o chão.
Sem base, sem alicerce sinto-me pisando no vazio...
Sem terra, pareço flutuar nas nuvens da minha solidão.

Eu digo a ela que só tem o meu eu nada mais em minha companhia...
E nessa nostalgia, ela implacável resolve ficar.
Eu cansada estendo o meu corpo num tapete de gramas,
Ela vem, pisa em cima e toca a minha alma...
Ninguém viu, ela não é física para os olhos dos outros,
Mas eu a vejo, só não posso tocá-la...

Ela me devora como se fosse um verme matando tudo que sobrou de mim...
Eu não quero admitir a permanência no meu eu,
Luto, quase grito... Ela é forte, insiste em ficar.
E nessa batalha sem trégua cravada dentro de mim,
Ninguém vê a coroa de espinhos que ela me impõe,
Ninguém vê o fardo pesado que ela obriga a minha alma carregar...
Esse fardo não é pesado no significado do seu verbo,
Ele é leve, solidão é não ter nada para carregar e nem amar.
A solidão é um na sua conjugação,
pesada coroa de espinhos carrego todos os dias sem ver o sangue...


E ela Cínica e debochada vem e me pergunta:
_Com quem anda? Com quem fala? Quem te abraça?
Quem beija a sua boca?
Ela responde: _ Sou eu a sua solidão!

Quando dorme, eu durmo ao seu lado...
Na sua cama fria, sou eu os seus braços que não te abraça...
Sou a voz que não fala, sou as mãos que não te toca,
Sou o seu silêncio, sou a sua dor, eu sou a sua morte...
E será assim para sempre todos os dias, ao dormir e ao acordar...
Todo dia terá essa pergunta:

_Quem te ama? _ Sou eu a sua solidão!

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