EU E MINHA SOLIDÃO
(Perséfone Diana)
Meus passos caminhando
rumo ao nada,
Paro, olho para todos os
lugares, miro o infinito...
Falo comigo mesma: _
Quem é você, aonde vai,
com quem anda com quem
fala?
Essa voz torturando,
mostra à minha alma da maneira mais cruel...
Como uma mão, me
apontando com uma arma em punho,
dilacerando o meu
coração.
Sinto a dor mais
sofrida, a angústia mais temida...
E vejo que esse
sentimento se chama “solidão”...
Vago pela noite
sozinha...
Contemplo as estrelas.
O céu parece em festa,
com brilho de neon...
A lua majestosa o
símbolo dos amantes...
E mais uma vez me vejo
na solidão...
Tenho a lua e tenho as
estrelas...
Tenho a noite de lua
cheia.
Só acordada na noite não
tenho alguém, que me estenda os braços...
Que aperte meu corpo num
abraço.
Os meus olhos teimam em
procurar um olhar, é em vão...
Da minha boca quase sai
um sussurro.
Sem ter ouvidos que
possam me escutar...
Meus passos continuam
sem rumo, sem ter alguém a me esperar...
E mais uma vez me deparo
com o que me aparece,
estou diante da minha
solidão.
Por mais que eu peça
para ela ir embora,
Ela teima em ficar...
Fecha os meus olhos,
Cala a minha boca,
E quando penso que ela
me tirou tudo,
Ela vem e me tira o
chão.
Sem base, sem alicerce
sinto-me pisando no vazio...
Sem terra, pareço
flutuar nas nuvens da minha solidão.
Eu digo a ela que só tem
o meu eu nada mais em minha companhia...
E nessa nostalgia, ela
implacável resolve ficar.
Eu cansada estendo o meu
corpo num tapete de gramas,
Ela vem, pisa em cima e
toca a minha alma...
Ninguém viu, ela não é
física para os olhos dos outros,
Mas eu a vejo, só não
posso tocá-la...
Ela me devora como se
fosse um verme matando tudo que sobrou de mim...
Eu não quero admitir a
permanência no meu eu,
Luto, quase grito... Ela
é forte, insiste em ficar.
E nessa batalha sem
trégua cravada dentro de mim,
Ninguém vê a coroa de
espinhos que ela me impõe,
Ninguém vê o fardo
pesado que ela obriga a minha alma carregar...
Esse fardo não é pesado
no significado do seu verbo,
Ele é leve, solidão é
não ter nada para carregar e nem amar.
A solidão é um na sua
conjugação,
pesada coroa de espinhos
carrego todos os dias sem ver o sangue...
E ela Cínica e debochada
vem e me pergunta:
_Com quem anda? Com quem
fala? Quem te abraça?
Quem beija a sua boca?
Ela responde: _ Sou eu a
sua solidão!
Quando dorme, eu durmo
ao seu lado...
Na sua cama fria, sou eu
os seus braços que não te abraça...
Sou a voz que não fala,
sou as mãos que não te toca,
Sou o seu silêncio, sou
a sua dor, eu sou a sua morte...
E será assim para sempre
todos os dias, ao dormir e ao acordar...
Todo dia terá essa
pergunta:
_Quem te ama? _ Sou eu a
sua solidão!

Nenhum comentário:
Postar um comentário