segunda-feira, 9 de maio de 2011

VIDA DE LAVRADOR





VIDA DE LAVRADOR
(Perséfone Diana)

No sol quente fissurando a terra lá vai um vulto...
Um homem com chapéu de palha, 
enxada nas costas, carregando seu embornal,
uma cabaça de água indo em rumo à labuta,
escaldante sol sobre sua pele
Queimando como se fosse fogo...
Calça que leva remendos...
Face marcada pelos vincos do sofrimento,
Botina rasgada, pés protegidos
Do perigo das cobras no arrozal,
E vai ele o lavrador, cuidar de sua plantação,
Cavou e a semente plantou,
Carpiu, cuidou, 
No zelo diário com a sua menina,
Semente que germinou...
Homem curvado com sua enxada,
Trazendo calos nas mãos,
Unhas sujas de terra,
Mãos de um homem simples do sertão...
Antes de o dia nascer vê o escuro da madrugada,
acorda faz a sua oração,
Pede a Deus que derrame chuva na plantação...
Chuva bendita na vida desse sertanejo,
Que faz do verde arrozal,
Encher de alegria a vida desse homem 
Tão puro e sofrido lá do sertão...
Pedindo sempre em oração,
Para que Deus abençoe a sua plantação,
Contando apenas com os climas de cada estação,
É assim que ele ganha o seu pão,
Que não Chova demais nem de menos,
Chovendo demais matará a sua semente,
Se a chuva aumenta,
Lá vem o Lavrador,
Estender suas mãos sujas de terra,
Em súplica, que não mate a sua plantação.
Que nas noites de invernada,
A geada não queime a delicada semente...
Olhar sempre atento para o céu,
Preocupado com cada mudança de tempo.
Olha as horas, quando o sol toca num ponto fixo, 
De sua plantação,
É chegada hora de ir para casa, 
Com a enxada nas costas.
Bendito dia de sol ou de chuva,
Mais um dia cuidou da sua lavoura.
Foi nesse dia que,
Deus olhou para os calos de suas mãos,
E o abençoou como um zeloso trabalhador.
E sendo assim, não tarda muito, 
Na hora da colheita terá o gozo
De debulhar cada grão, 
Plantando pelas suas mãos.
Oh, bendita sejam suas mãos,

Digno lavrador.

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