VIDA DE LAVRADOR
(Perséfone Diana)
No sol quente fissurando
a terra lá vai um vulto...
Um homem com chapéu de
palha,
enxada nas costas, carregando
seu embornal,
uma cabaça de água indo
em rumo à labuta,
escaldante sol sobre sua
pele
Queimando como se fosse
fogo...
Calça que leva remendos...
Face marcada pelos
vincos do sofrimento,
Botina rasgada, pés
protegidos
Do perigo das cobras no
arrozal,
E vai ele o lavrador, cuidar
de sua plantação,
Cavou e a semente
plantou,
Carpiu, cuidou,
No zelo diário com a sua
menina,
Semente que germinou...
Homem curvado com sua
enxada,
Trazendo calos nas mãos,
Unhas sujas de terra,
Mãos de um homem simples
do sertão...
Antes de o dia nascer vê
o escuro da madrugada,
acorda faz a sua oração,
Pede a Deus que derrame
chuva na plantação...
Chuva bendita na vida
desse sertanejo,
Que faz do verde
arrozal,
Encher de alegria a vida
desse homem
Tão puro e sofrido lá do
sertão...
Pedindo sempre em
oração,
Para que Deus abençoe a
sua plantação,
Contando apenas com os
climas de cada estação,
É assim que ele ganha o
seu pão,
Que não Chova demais nem
de menos,
Chovendo demais matará a
sua semente,
Se a chuva aumenta,
Lá vem o Lavrador,
Estender suas mãos sujas
de terra,
Em súplica, que não mate
a sua plantação.
Que nas noites de
invernada,
A geada não queime a
delicada semente...
Olhar sempre atento para
o céu,
Preocupado com cada
mudança de tempo.
Olha as horas, quando o
sol toca num ponto fixo,
De sua plantação,
É chegada hora de ir
para casa,
Com a enxada nas costas.
Bendito dia de sol ou de
chuva,
Mais um dia cuidou da
sua lavoura.
Foi nesse dia que,
Deus olhou para os calos
de suas mãos,
E o abençoou como um
zeloso trabalhador.
E sendo assim, não tarda
muito,
Na hora da colheita terá
o gozo
De debulhar cada
grão,
Plantando pelas suas
mãos.
Oh, bendita sejam suas
mãos,
Digno lavrador.

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