segunda-feira, 9 de maio de 2011

MEU UNIVERSO




MEU UNIVERSO
(Perséfone Diana)

Eu quero ficar sozinha no meu universo,
Procurando e relendo as páginas do meu livro,
Em busca do meu encontro, quero ser o que eu leio,
Como quem abre um livro,
De página em página vai traçando uma trama,
Um capítulo completo da minha história.
Cerro os meus olhos 
E nesse ambiente escuro que eu criei,
Faz sol, do lado de fora da minha janela.
Agora sou eu comigo mesma,
Do tamanho do que eu me vejo,
Eu procuro encontrar qual personagem,
Eu criei e vivi, 
Nesse romance eterno que é a vida.
E nesse silêncio de tumba, 
Eu ressuscito uma menina,
Cheia de sonhos e de desejos contidos.
De tão real eu posso vê-la, com os meus olhos cerrados,
Ela correndo,
Cabelos soltos ao vento,
Num espaço sem muros e sem fronteiras,
Quando brinca num campo de lírios,
Ao som de uma orquestra de passarinhos.
Em estado de meditação,
Ergo o rosto para o infinito,
E faço os meus pedidos,
Em forma de uma prece.
Eu peço:
Quero viver todas as primaveras,
Podendo olhar da minha janela 
As lindas flores,
Dos ipês amarelos.
Sem deixar de viver a minha liberdade,
Mesmo quando sinto tal qual,
Um pássaro preso na gaiola.
Não quero ver a terra seca quando fizer verão,
Que a água caia em abundância nos pontos cardeais,
Com igualdade,
Nem para mais e nem para menos,
O suficiente para fazer brotar a semente, 
Matando a sede de tanta gente,
Quero ter o ar puro das matas para poder respirar,
Quero ouvir o vento tocar uma música,
Quando toca forte nos galhos das árvores.
Das mãos dos famintos,
Desejo ver a massa do seu pão,
O alimento dos filhos da nossa nação,
E quando encontrar tudo em perfeita harmonia,
Entre o homem e os animais,
Como se fosse numa constelação,
Eu abro os meus olhos,
Olho para o meu livro que reli,
E ao fechar esse livro, 
Com sentimento arrebatador,
Transmite-me paz e esperança,
É nesse silêncio que jaz em mim,
Recordo que li em algum lugar desse livro,
Que tudo se transformou, 
E agora tudo está do tamanho dos meus sonhos,
Como filha do criador, sendo parte da criação,
Agora com olhos abertos eu vejo um tapete verde de plantação,
Foi quando enfim caiu água no nordeste,
E um sertanejo, 
Olhou para o céu e festejou,
Num banho de chuva,
Santificou. 
E tudo está em paz no meu universo.


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