segunda-feira, 9 de maio de 2011

O MEU ESPELHO




O MEU ESPELHO
(Perséfone Diana)

Diante do espelho eu contemplo uma imagem, 
entro no mundo do faz de conta
sou o controverso dessa imagem refletida.
Eu conheço esse rosto, esses lábios, os olhos estão diferentes.
Não sei se a luz ofuscou ou se o tempo cobriu de névoa o olhar,
dificultando meu entendimento.
 Nesse semblante de mulher vejo sombra de menina,
Outrora vivia de sonhos e corria contra o tempo.
Querendo adiantar o relógio e fazer a passagem precipitada,
como toda criança desassossegada.
Eu vejo nessa imagem os olhos da menina inocente...
Quando sonhava com um abraço e um beijo na boca.
Os sonhos eram do meu tamanho...
Pouco para quem ouvia, mas de muito valia para mim.
sentia a intensidade do saber viver em tão tenra idade.
Ao ver o meu rosto no espelho, vejo a mulher,
sobrancelha arqueada, olhos brilhantes...
Sonhadora, cheia de amor para doar...
Perdi-me, não sei onde está a menina e onde está a mulher...
Será que a menina não cresceu?
Ou toda mulher tem sonhos de menina?!
Meu coração sussurra bem baixinho...
Uma menina tem sempre uma mulher
 dentro do seu corpo pequeno ,
Uma mulher tem sempre uma menina
que habita para sempre a sua alma.
Nessa imagem congelada no espelho,
eu me olho detalhadamente.
As minhas mãos  trabalharam muito,
Doou afeto e aperto de mão...
Quantas carícias com a leveza dos dedos.
Quantas vezes usei essas mãos
Para segurar forte a mão de alguém,
quando estava no chão.
Os meus pés caminharam muito,
o tempo adiantou...
Mesmo parada diante desse espelho.
Eu vejo as trilhas que eu percorri, horas devagarzinho,
Outras tantas, na correria... Na esperança que findasse logo o dia...
Esperança de novo crepúsculo, novas auroras...
A menina corria contra o tempo, apressando o seu relógio...
A mulher que vejo, se pudesse pararia os ponteiros do tempo.
Eu me vi menina nessa imagem, me vi mulher...
Eu envelheci em poucos minutos, quando parei, olhei e comparei...
E o que sobrou do rostinho da menina,
Foi uma mulher com vincos no rosto,
Marcas deixadas pelo tempo...
Em cada uma delas vejo que o tempo passou muito rápido,
foi quando envelheci.
Mas ainda tem muito chão para andar,
Sei que outro dia, quando eu parar diante desse espelho,
A imagem será bem diferente,
Encontrarei a figura da menina, da mulher e não tarda muito verei uma anciã.
O tempo não espera, ele carrega folhas das estações,
faz eclodir os botões das mais belas flores... Para depois despencá-las.
O tempo molda tudo que está sempre em mutação.
Nem sempre a imagem que eu verei será a mais bonita.
Um dia sentirei incômodo ao olhar no espelho,
Será que me reconhecerei em todas as minhas mutações?
Ou não terei coragem de encarar as novas eras...
A coragem também faz parte do tempo, meu coração me contou...
Aceitar a mudança do tempo
é acrescentar qualidade no fruto amadurecido.
Serei menina, mulher...
E na lembrança uma saudade da beleza que está indo embora...
Mas é necessário para que outra beleza maior tome seu lugar...
A beleza que tem o nome de envelhecimento,
Experiência acumulada de vida...
Matéria não aprendida na escola...
Apenas na escola do caminhar do tempo.


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