UM LAMENTO
(Perséfone Diana)
(Perséfone Diana)
Se tudo que tem vida pudesse manifestar-se...
Ouviria o choro do óvulo fecundo...
No ventre da mãe, quando era um feto...
sem fala e sem poder de defesa.
Não lhe perguntaram se queria viver...
E como se fosse nada, se não tivesse vida...
Botou para fora do seu lar maternal,
a própria mãe matou sua cria.
Na terra, no chão ou no seixo,
têm fissuras, trincas marcadas pelo lamento.
Abaixo da terra, pela lei da natureza,
litosfera, manto e o núcleo.
água nos lençóis freáticos...
E não sangue derramado pela violência.
De tanto sangue embebido
a terra sangra com lamento.
E tudo abaixo do universo,
Caminha para a degradação humana.
A mãe chora pela morte do filho,
lei que deveria ser contra a natureza.
Pais não poderiam enterrar a sua prole.
É injusto, quase desumano.
Tamanha dor nas lágrimas dessa gente.
Antes mesmo de deixar seus descendentes,
encerram sua história numa rua qualquer...
Homens desprovidos de bom caráter,
levam os pequenos filhos da terra,
Para o vício e o tormento.
Eu lamento pelos que procuram o alimento,
e encontram um prato vazio.
O pai envergonhado,
não sabe o que responder para o filho.
Quando ele sente fome na calada da noite,
pede ao pai o alimento,
o pai com fome também,
chora, não pela sua fome, mas pela fome do filho que tem.
Sente-se menos homem, um impotente.
Vida injusta, capitalismo que mata os sonhos dessa gente.
Lamento pela sina desses pequenos,
sendo jogados à própria sorte.
Dormindo e um sono injusto, no lar que tem.
Eu lamento pelas mortes nas guerrilhas,
pelos corpos não encontrados,
pelo choro das esposas,
que não puderam enterrar uma ossada.
Eu lamento não poder fazer nada.
Lamento pela falta de liberdade,
Onde ainda não tem o livre arbítrio,
para escolher que Deus seguir.
Sendo impostos deuses e legados,
Quem não obedece paga com a vida.
Eu lamento pelo grito do homem para mostrar superioridade,
fazendo outro homem baixar a cabeça e fazer silêncio.
Lamento pelos que morrem e são inocentes.
Lamento pela lei que vende uma Inocência, que teve preço.
E a terra sangra com tanto lamento.

Nenhum comentário:
Postar um comentário