segunda-feira, 17 de outubro de 2011

GRITOS DE PAIXÃO


GRITOS DE PAIXÃO
(Perséfone Diana e João Aleixo)

Na inquietude do amor que me consome
eu te chamo na noite...
Como uma coruja nos buracos dos rochedos...
Quando eu cricitar bem alto,
eu te convido a banhar comigo nos riachos.
Não quero ser a solidão quando voo...
Quero voar com o meu par.
Quando te elegi ser meu
quando demarquei meu território
no seu corpo.
Rasguei o tecido que me cobre
ao cricitar o meu nome...
No teu corpo escrevi lindas poesias,
no teu pescoço deixei o meu sabor,
nos teus lábios desenhei o meu calor,
em teu ouvido sussurrei palavras enclausuradas,
que te fizeram vibrar, que te fizeram entregar,
num amor comum, num desejo sem fim.
Um vulcão que acordou e espalhou lavas de paixão,
desejo e loucura...
No teu corpo, só no teu corpo...
fiz-te mulher, soltastes um gemido de prazer
e é nessas lembranças que me chamas...
na noite, gritas por mim...
E serei sempre o seu chamado.
Quando a coruja proteger a sua ninhada,
nesse grito eu te protejo,
abro a minha envergadura, com asas que são braços,
eu te envolvo e não tenha medo desse voo acasalado...
Pela noite, eu não abrirei a minhas asas...
estarás preso a mim e te manterei quente
com o calor que flui de todas as penas,
aquecemo-nos num só corpo.
Quando pousamos num outro rochedo...
Deixo que me protejas, deixo que me seduzas,
deixo que me possuas, faz de mim o mais feliz dos mortais,
entrego-me sem pudor a tua proteção,
ao teu desejo, ao teu devaneio.
Seremos dois corpos no limiar do prazer,
da entrega, seremos dois corpos
que se amam ate a exaustão,
mas será sempre uma única alma
que se ama em silencio.
Serei a sua noite e o seu crepúsculo...
Serei a sua presa fácil, quando num eco quase inaudível
eu bato as asas e te encontro.
Faço morada agora na nossa casa,
no forro de um sótão ou nesse rochedo...
Mas será na torre de uma igreja
que o anjo baterá asas e nos dará a bênção
nesse amor cricilado de duas aves que voaram.

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