terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O AMOR EM ALTO MAR
O AMOR EM ALTO MAR
(Perséfone Diana/Osman Melo)
Em cada encanto de praia
em cada grão de areia que o vento leva,
meus castelos desfeitos no temporal.
Num cenário bucólico nossa taipa, o sono velava.
Madrugada chega é hora da partida
leva esperança na rede quando parte o pescador.
Movimenta o pêndulo, a âncora, é hora de alcançar alto mar.
Ao longe infindo horizonte, águas rolam em redemoinhos.
Eu sou a sua mulher rendeira tecendo a renda branca,
fios tecidos com zelo, um vestido para receber o pescador.
Vêm ondas que levam meu pensamento a você.
A mesma água que o levou para a costa, ao marulhar do mar.
A cada jangada que vai mar adentro,
Turvo, pela solidão leva esperança ao jangadeiro.
Em mim, fica a esperança em aguardar seu retorno,
outrora vestida de renda viajei no seu corpo, mais uma vez eu sonho!
Sonho da mulher de um pescador magia com regresso.
Em cada lua refletida no mar imenso, remete um desejo...
Meu corpo na areia, alheia ao mundo esgotado pelo cansaço.
liberdade flui ao avançar das águas no mangue...
Mesclamos saudades solitárias, durmo na rede e você na jangada.
pensamentos nos corroem a alma, a presença de seu perfume...
suor em minhas mãos quando abraçava seu corpo
nem as atribuições do dia a dia conseguem apagar o seu jeito de amar.
Vejo em cada estrela seu sorriso em cada retorno um beijo,
a esperança em te encontrar, te abraçar desesperadamente.
Sentindo seus lábios úmidos ao encontro dos meus,
sentir no fundo da alma, que nunca deixará de me amar.
Quando eu regressar para o mar estará lá a minha mulher rendeira.
Na partida e na chegada, o vestido de renda e a minha jangada.
O nosso mundo, a casa de taipa será meu porto seguro
Os braços do mar...
Se ouvires o meu choro, não demore no retorno.
Na leveza do meu corpo olha a estrela-d'alva, quando te guia para casa.
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