segunda-feira, 9 de abril de 2012

METÁFORA DO AMOR


METÁFORA DO AMOR

( Perséfone Diana)

Amar é querer cruzar a alma do outro;
É ato quando nos deixam tomados;
É fato quando reparte o coração em dois.
É estar aqui num tempo que não se condiz;
Quando a sombra está arremetida para lá.
Acendem palavras nas entrelinhas, vindas rumo norte;
Trazendo o vento sul com cheiro de gerânio silvestre.

São dois pombos unidos na mesma direção.
São dois pombos separados em outra dimensão.
Porta aberta, pássaros loucos agregados.
Quem não tem alma desagrega de si;
Mas quando o amor chega vê que é mortal.
Que bonito é, o amor agarra para si.

Pulsa o coração em novo ritmo, latejam os membros.
Quando os pombos voam felizes habitantes harmoniosos;
Quando na ira do amor um pombo voa sozinho;
Vaga num espaço onde um dia voaram dois.
Quando deixa de si o amor leva pedaços de vida.

Diante da consciência é um antílope cauteloso;
Às vezes prostrados diante do outro em súplica.
De joelhos o corpo entrega em pedido de perdão;
Escravo do sentimento faz-nos quebrar o orgulho;
No medo da perda obriga-nos saber o que é humildade.

Está lá a metáfora do amor, da semente que brotou;
Um milharal seco debulhado, o mesmo que o vento acariciou.
O amor acolhe numa terra de carne;
Ramos nascidos, folhas adornadas.
De pequeno a grande, a estatura se faz com o tempo.

A luz do sol alimenta a planta, fotossíntese que gera vida;
Haste despida de folhas, nudez palpável.
Corpo e alma libertos e cativos do outro.
Quando a planta aprofunda na terra,
enraizada, nasce e apodrece.
É nascer e morrer desprotegido pelas ventanias.

Hoje é milharal vistoso esvoaçante com a brisa;
Amanhã será adubo orgânico dos restos.
Folhas verdes secam com o tempo,
Cobrem a terra em estado de microdecomposição.
Amar é um ato de doação, é fato a entrega por prazer.

Amar é orar, não tem hora certa para santificar.
Dois corações guerreiros alados;
São deuses caçadores, arqueiros diante das batalhas.
Atinge lugares inalcançáveis reclusos sempre no outro.
O amor é uma lenda até acertar o alvo;
Não há esquiva, é certo ele acerta.

Um comentário:

Anônimo disse...

Repito estou relendo pela quinta vez. Rigo