quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ÉBANO



































ÉBANO 

 (Perséfone Diana)

Convergência triunfada nesse láteo tempo,
Horas que não têm resposta agora,
em outro tempo terá.
Fluido hipotético indutor da luz.
Cais empedrado acolhe quem chega e quem vai.
Cronos, Ouranos, Poseidon,
deus do tempo, do universo e dos mares.
É deus caçador de almas?
É Deus que sara as feridas?
São lambidas cicatrizando dor.
Inocente morre e nasce como caroço;
Cansado morre e nasce no fim,
fio tecido pela esperança.
Olhos à espreita circulando o globo,
menina dos olhos
enxergando bem aventurança,
enxerga o tempo manifesto,
sepultado nos seios da vida,
sepultado nas covas da terra.
O que há de eternizar oh deus das horas?
Senão a agonia retida, repousada no que virá?
Está no viajante que está de retorno,
no trem que percorre trilhos sem saber aonde irá.
Está na barca, na valsa, no poeta,
ele é o que mata,
é o que não podemos matar,
matamos o tempo quando ele nos mata.
Vamos empurrando a vida,
sem perceber somos empurrados por ela..
Desejo incontrolado, prazer acolhido,
gerador de medo, astuciosa raposa.
Olhos atentos, sem descanso,
separa os que volitam atravessando eras,
Jogam no abismo pétalas murchas,
perderam o viço em março.
Essência etérea invertendo distância,
trezentos e sessenta cinco dias e seis horas,
acordando, dormindo,vivendo, morrendo.
Sojigado planeta onde estou solta,
de volta, devota...
Olho para o céu azul encontro um mar cor de anil.
Explode cada relógio ao findar das horas;
A promessa prometida mostra quem é o rei da vida,
Vi um jovem passando por mim um rei coroado,
Imortalizado vê a nossa morte...
Sempre no vigor imune a sua.
Doando-nos a malga
com alimentando regrado;
Doando-nos ao ébano
para o sono que nos aguarda.


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